segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sete dias para viver - continuação (parte II)

Olá gente! Como estão passando?
Hoje venho trazendo a continuação da minha fanfic especial de aniversário. 
Como eu já mencionei numa postagem anterior, meu plano era escrever a fanfic e postá-la aqui de uma única vez, porém, a data do aniversário do blog (19 de abril) não me permitiu que eu fizesse isso, pois meu tempo disponível não foi o suficiente para terminar a fanfic como eu pensava. De qualquer forma, estou postando hoje mais quatro capítulos da fanfic, ainda não são os últimos capítulos  (na verdade, inicialmente eu queria fazer apenas 10 capítulos, porém, como as coisas sempre fogem dos meus planos, a fanfic ficou maior do que eu esperava e não deu para encurtar os acontecimentos da história).

Logo abaixo vocês também podem conferir a segunda capa que eu fiz para a fanfic. Não ficou tão boa quanto a primeira (terminei  ontem à noite às pressas para postá-la aqui no blog hoje rsrs), mas deu um trabalhão para fazê-la (lembrando que o desenho é completamente original).

Espero que gostem!


Sete dias para viver




Capítulo 7

-Seis horas em ponto? Ela já está atrasada 20 minutos! –resmungou Brian, vestido em seu terno preto, com seus cabelos penteados para trás e usando sapatos sociais bem lustrados. Sua aparência, que antes já era bela, agora estava mais bonita e mais elegante do que nunca.

Brian permanecia do lado de fora do Salão Fest Club, encostado numa parede, com os braços cruzados e de vez em quando suspirava transparecendo sua impaciência.

-Desculpe o atraso... –minha voz macia ecoou nos ouvidos de Brian, que estava distraído olhando para os transeuntes na rua.

-Finalmente você cheg... –ao desviar seu olhar direto para mim, ele perdeu a voz e pareceu ficar em completo estado de transe, olhava-me de um jeito tão fascinado que me fez ficar constrangida. -É você mesmo, Kate? –perguntou ele, com uma expressão de incredulidade e fascínio no rosto.

Quatro horas livres foram essenciais para minha transformação de gata borralheira em cinderela: Duas horas e meia para ir ao salão de beleza, fazer uma hidratação na pele, um maravilhoso penteado no cabelo e ser maquiada por profissionais. E mais uma hora e meia para ir a uma famosa loja de roupas de gala, escolher um lindo vestido de princesa cor de rosa com detalhes perolados e um sapato transparente decorado com flores de cristal.

-Sim, sou eu mesma... – respondi, rindo da cara espantada de Brian. -Onde está a câmera fotográfica? –perguntei, olhando para as mãos vazias do fotógrafo.

-Não se preocupe, eu a deixei no meu carro! Espere aqui, vou buscá-la! –disse ele, enquanto começava a caminhar até o estacionamento ao lado do Clube.

-Você tem um carro? Achei que não tivesse um... –falei de um jeito debochado.

-Na verdade, ele não é meu, é do meu irmão mais velho que me emprestou só por hoje... E você? Uma bioquímica não deveria ter um carro? –perguntou ele, enquanto se afastava um pouco mais em direção ao estacionamento.

-Eu tenho! Mas... O mundo fica muito mais bonito quando se anda a pé! –respondi em voz alta, para que ele pudesse me ouvir a uma distância de 10 metros.

-Fale isso pra quem mora há dez quilômetros do trabalho! –retrucou ele, também em voz alta, sorrindo, numa distância de 20 metros e quase chegando ao estacionamento.

Entramos de braços dados no clube, e o salão estava todo enfeitado, com rosas e lustres reluzentes, tudo da mais alta classe. Muitas pessoas estavam sentadas à mesa comendo, bebendo e conversando, já outras deixavam seus lugares para dançar no meio do salão.

-É uma festa de casamento? –perguntou Brian, olhando fascinado para a linda iluminação de estilo clássico acima de nossas cabeças e tirando diversas fotos.

-Não. –respondi secamente, tentando atiçar a curiosidade dele.

-Então... É um aniversário? Ou um batizado? –perguntou Brian novamente, enquanto continuava tirando fotos do enorme salão, cujo chão encerado refletia os flashes de sua câmera.

-Não. –respondi, fazendo uma expressão de criança matreira, e Brian me encarou com uma expressão de impaciência no rosto.

-O que é tudo isso então? –perguntou ele, tomado pela curiosidade.

Olhei para ele com um sorriso cheio de orgulho.

-Todas as pessoas que estão aqui foram contratadas... Elas são figurantes, eu pedi que uma agência especializada contratasse todas elas... –falei, com uma expressão convencida no rosto.

-Hã? Sério? Então essa festa é sua e você está pagando para que todas essas pessoas participem dela? –disse Brian, e parecia não gostar nada do que eu havia lhe dito.

-Isso mesmo! –confirmei, olhando ao redor e mostrando uma expressão orgulhosa.

-Por que você não convidou seus amigos em vez de pagar pessoas estranhas para vir na sua festa? Isso é deprimente... –retrucou ele de maneira impensada e rude.

Suas palavras soaram como ofensas em meus ouvidos, pior do que isso, elas me cortaram como um punhal afiado. Sem me dar conta, um nó se formou em minha garganta e respondi em alto tom com uma voz embargada:

-Eu não tenho amigos, ok? E mesmo que eu tivesse, acha que eu os convidaria para essa festa ESTÚPIDA? – lágrimas começaram a rolar pela minha face, e Brian me encarou de um jeito assustado, dando-se conta de que havia me magoado.

Saí correndo do salão em prantos, com a maquiagem manchada pelas lágrimas e as mãos agarradas no vestido, que apertavam o tecido com força. Brian correu atrás de mim.

-Kate, espera! Desculpe-me, eu não quis te magoar! Kate! –gritou ele, tentando me alcançar.

Parei de correr por um momento e me virei em sua direção.

-Era pra ser uma festa perfeita! Mas você estragou tudo! –falei com uma voz de choro e voltei a correr, porém, Brian me alcançou e me segurou pelo braço.

-Kate, por favor, não vá embora! Perdoe-me! Você se esforçou muito para preparar tudo isso, fique aqui! –disse ele, com uma expressão arrependida no rosto.

-Solte-me! – falei de modo rude, e o afastei de mim bruscamente.

-Eu que vou embora, está bem? Se eu for embora, você será capaz de aproveitar sua festa, não é? Então, por favor, fique aqui! Não quero que você chore por minha causa! –disse ele, encarando-me com um olhar triste.

Após alguns minutos, Brian atravessou a porta do salão rumo ao estacionamento, sozinho.


Capítulo 8

O que diabos ele estava fazendo? Indo embora? Depois de todo o estrago que já fez?

Meu coração doía só em pensar que estava sendo abandonada daquele jeito. Aquilo definitivamente não iria me fazer ficar melhor! Por quê? Por que mesmo depois daquelas palavras que me magoaram tanto, minha vontade era de chamá-lo de volta? Brian era a única pessoa mais próxima que eu poderia considerar como amigo que eu já tive em toda minha vida, talvez mais... Mais do que um amigo... As lágrimas insistiam em cair, e aquela dor era diferente de qualquer outra que eu já havia sentido durante meus 25 anos de existência.

Corri sem pensar. E antes que Brian chegasse ao estacionamento, eu o alcancei e o abracei pelas costas, segurando firme em sua cintura.

-Não vá, por favor... Não me deixa sozinha! –falei com uma voz embargada, entre os soluços do meu choro.

Brian pareceu muito surpreso com a minha atitude, ele ficou estático e em silêncio por alguns minutos. Nesse momento, pude sentir as batidas de seu coração, que estava aos pulos, como se fosse sair do peito. Porém, depois disso, ele gentilmente retirou minhas mãos de sua cintura e virou-se, ficando de frente para mim.

-Você estava tão feliz por ter organizado a festa sozinha... Eu fui um idiota ao dizer aquelas palavras... Desculpe-me! – disse ele, enquanto segurava minhas mãos de um jeito muito carinhoso.

-Eu... Nunca tive amigos de verdade, apenas colegas de escola e de faculdade. Em meu laboratório, trabalho praticamente sozinha, e mesmo que eu convidasse alguém que conheço, teria que explicar para ela o motivo da festa, isso seria complicado demais... Se eu mentisse ou falasse a verdade, de qualquer maneira, alguma coisa acabaria chegando aos ouvidos dos meus pais...

-Seus pais? Não me diga que você não contou nada para eles? –perguntou Brian, preocupado.

-Eles estão na Suíça numa viagem em comemoração aos seus 30 anos de casados... –falei, desviando o olhar para baixo. - Se alguém conhecido ficar sabendo da festa, vai acabar contando para eles e consequentemente, meus pais irão me ligar perguntando qual o motivo da festa... Eu não quero de maneira alguma incomodá-los!

Brian me encarou de um jeito como se estivesse se preparando para me dá um sermão.

-O quê? Isso não faz sentido! Eles são seus pais! Você não quer se despedir deles? –perguntou ele, indignado.

-Eu... Eu quero... Mas ao mesmo tempo, isso seria doloroso demais para nós! –respondi hesitante, enquanto Brian perseguia meus olhos.

-Tudo bem... –disse ele, suspirando logo depois.

O fotógrafo me puxou pelo braço e caminhamos de volta ao Clube. Chegando lá, Brian me levou para o meio salão, onde diversos casais dançavam ao som de uma bela valsa.

-Então... Quer dançar? –perguntou Brian, com um sorriso tímido no canto da boca e evitando olhar nos meus olhos.

Fiz um pequeno gesto com a cabeça em consentimento. Brian segurou minha cintura e eu coloquei minha mão em seu ombro. Quando nossas mãos se encontraram, senti um pequeno arrepio e meu coração acelerou. Mesmo estando tão próximos, nós evitávamos olhar nos olhos um do outro, porém, quando começamos a dançar, pelo fato de ambos sermos desajeitados, pisei no pé dele, e quando pedi desculpas, tive que encará-lo.

O que estava acontecendo comigo? No momento em que tentei pedir desculpas, simplesmente perdi a voz, pois olhá-lo tão de perto inquietava meu coração. Será que ele sentia o mesmo? Ambos parecíamos muito nervosos.

Dançamos por várias horas até que resolvemos parar para comer alguma coisa. Depois de um belo jantar, saímos do salão e Brian me levou de carro até em casa.

-Aonde vamos amanhã? –perguntou ele, enquanto me acompanhava até a portaria do condomínio.

-É melhor você acordar cedo, pois vamos fazer um piquenique pela manhã! –falei, e ele apenas me encarou com uma expressão de deboche, contendo-se para não rir.

-Sério? Esse tipo de coisa é tão retrô! – zombou ele, soltando uma risadinha de deboche.

-Você deveria tomar um pouco mais de cuidado com as coisas que diz! –repliquei irritada.

-Tudo bem, tudo bem, me desculpe, eu só estava sendo sincero... –disse ele, ainda dando risada.

-Idiota! – resmunguei, e abri o portão do condomínio, entrando rapidamente, muito zangada.

-Ei! Desculpa! Eu só estava brincando! A gente se vê amanhã, sim? Eu vou ao piquenique! EU JURO QUE VOU! SEM RECLAMAR! –grasnou ele, enquanto me via desaparecer pela portaria do condomínio.


Capítulo 9

No dia seguinte, Brian e eu fizemos um piquenique num lugar muito bonito e ensolarado, perto de uma grande árvore (macieira), onde a grama era muito verde e fresca, com um aroma agradável. Depois de comermos tudo que havia na cesta de piquenique, resolvi deitar naquela maravilhosa grama e olhar para o céu azul.

-O que está fazendo? –perguntou Brian.

-Estou cumprindo meu desejo número 18: deitar na grama e olhar para o céu azul. –respondi, sentindo o aroma gostoso da terra que me embriagava. –O céu está muito bonito hoje! – coloquei as mãos por baixo da cabeça, apoiando-a.

Brian olhava para mim de um jeito desconfiado, como se estivesse começando a achar que eu era maluca, porém, segundos depois, lá estava ele ao meu lado, também deitado na grama, olhando para as nuvens disformes.

-Se você tivesse apenas sete dias de vida como eu, o que você faria? Quais seriam os seus últimos desejos?-perguntei a ele, ainda olhando para o céu, sem piscar, como se estivesse hipnotizada.

Brian desviou o olhar das nuvens para mim, e mesmo que eu não estivesse olhando diretamente para ele nesse momento, pude perceber um pequeno sorriso em rosto.

-Eu... Eu não sei... Talvez fizesse um monte de coisas que eu nunca tive coragem de fazer, como assaltar um banco, por exemplo... –disse ele de forma vaga, olhando para o céu.

-Hã? –virei meu rosto bruscamente em sua direção. –Assaltar um banco?

Brian olhou para mim e sorriu.

-Sim! E usaria todo o dinheiro para alugar um monte de coisas caras, como uma Ferrari, um Iate, um jatinho particular e um helicóptero, e também, faria todo o tipo de orgia que eu pudesse imaginar! –disse ele, empolgado, enquanto eu mostrava uma expressão enojada no rosto.

-Nossa... Nunca pensei que você fosse esse tipo de pessoa! –suspirei.

-Mas eu não sou! Meus amigos sempre me disseram que eu sou certinho demais, que eu nunca “chutei o balde”, que nunca me rebelei contra a sociedade... Talvez se eu estivesse bem perto da morte, teria coragem para fazer todas essas coisas! –retrucou ele, parecendo irritado consigo mesmo.

-Tem certeza disso? Não tem nada mais digno que queira fazer antes de morrer? –perguntei, e Brian ficou com o olhar distante.

-Bom... Meu sonho sempre foi fazer uma viagem até Paris... Lá eu poderia tirar fotos dos pontos turísticos mais famosos e de todos os lugares que eu sempre quis conhecer! –falou ele entusiasmado, com os olhos brilhando.

-Então você usaria o dinheiro do assalto ao banco para ir até Paris? –perguntei, sem emoção na voz, e Brian apenas sorriu tristemente.

-Eu nunca teria coragem para roubar um banco... Mesmo que eu estivesse morrendo... Por isso eu nunca vou ser capaz de ir até Paris... –respondeu ele com o olhar distante, e depois soltou um suspiro de decepção.

-Brian... –chamei-o.

-O que foi? –ele encarou-me, com seus olhos curiosos.

Passei alguns segundos olhando para ele, observando cada detalhe de seu rosto, aqueles olhos azuis que me deixavam completamente fascinada, as sobrancelhas, o nariz perfeito, e a boca...

-Você é um cara legal... –respondi, tentando não parecer nervosa, e ele apenas sorriu, olhando para mim de um jeito doce.

-Tá vendo aquela nuvem ali? Ela se parece com um porco, não é? –disse ele, apontando para o céu.

-Qual? –perguntei, tentando identificar a nuvem.

-Aquela ali! –ele apontou mais uma vez.

-Ah! Estou vendo! É verdade, ela se parece com um porco! –falei, e em seguida soltei uma risada, o que contagiou Brian a rir também. Ambos gargalhamos por alguns segundos.

-Quando a noite chegar, podemos voltar para esse mesmo lugar e deitarmos na grama de novo? –perguntei a ele.

-Por quê?

-É que eu também quero olhar para o céu estrelado...


Capítulo 10

A tarde do segundo dia chegou tão rápida quanto o vento da primavera. Resolvi visitar um lindo parque aquático, onde havia um grande aquário logo na entrada. Desta forma, meu desejo de ver um grande aquário bem de perto também foi realizado. Meus olhos admirados não se desviavam nem por um segundo daquele vidro transparente. A vida marinha era tão bonita quanto a terrestre, as diversas espécies de peixes, alguns pequenos e outros grandes, como tubarões, golfinhos e raias, e até mesmo peixes-palhaços e sardinhas, muitas delas estavam presentes naquele aquário. Brian também estava fascinado, e aproveitou o momento para tirar dezenas de fotos. Apesar da iluminação artificial, os corais e as algas marinhas que enfeitavam aquele maravilhoso ambiente dava-nos a sensação de estar observando um habitat natural.

Depois de passar vários minutos contemplando toda aquela beleza através do vidro, Brian e eu resolvemos aproveitar o restante do dia para nos divertirmos nas enormes piscinas e tobogãs daquele parque aquático. Brian já não zombava dos meus desejos, pelo contrário, ele adorou mergulhar e fazer bagunça na piscina. De vez em quando, enxugava-se e ia pegar sua câmera fotográfica para tirar fotos. Para mim, vê-lo só de sunga e observar cada detalhe de seu belo físico foi um bônus em meio a tanta diversão, não que eu seja pervertida, mas já que meus dias estão se esgotando, não faz mal nenhum aproveitar essa oportunidade.

Durante as brincadeiras, acabei descobrindo que Brian tinha medo de altura, pois ele não quis escorregar pelo tobogã. Além disso, descobri que ele é um pouco pervertido, pois ficava espiando os peitos das outras garotas de vez em quando. Também descobri que ao jogar água um no outro, Brian e eu parecíamos um casal, pois ao observar-nos, duas senhoras disseram que formávamos um belo par. Porém, de todas as coisas que eu pude descobrir sobre ele, o que me deixou mais surpresa foi o fato de que Brian era uma pessoa companheira, pois ele sempre se mantinha ao meu lado, mesmo que eu estivesse conversando com outras garotas ou quisesse brincar sozinha no tobogã, ele continuava perto de mim, e nunca me deixava perdê-lo de vista.

Á medida que as horas se passavam e o meu tempo de vida ia se esvaindo, Brian e eu nos tornávamos cada vez mais próximos, e isso estava me deixando preocupada.

No final da tarde, voltamos ao lugar onde fizemos o piquenique pela manhã e deitamos na grama novamente para observar o céu noturno. Desta vez foi diferente, pois estávamos tão cansados que, para nós, deitar na grama fria proporcionou um grande alívio, como se tivessem tirado um peso de nossas costas.

-Ah... Estou exausto! –disse Brian, espreguiçando-se e soltando um grande bocejo.

-Nossa! É tão bom deitar aqui, é tão fresco! –falei, sentindo-me extremamente relaxada.

-Tenho que admitir que essa sua ideia foi muito boa! Sinto-me como se estivesse no paraíso! Isso é incrivelmente relaxante! –falou Brian, inspirando profundamente e sentindo o aroma da terra úmida.

Ficamos em silencio por alguns minutos, apenas observando o céu estrelado e toda a paz de espírito que ele nos dava. A lua crescente estampava-se lá em cima, acompanhada de muitas constelações.

-Conhece alguma constelação? –perguntou ele.

-Eu nunca prestei muita atenção no céu... Mas acho que aquele ali é a cinturão de Órion, estou certa? –falei, apontando para o céu.

-Tem razão, é o cinturão de Órion! Ele é formado pelas três Marias: Mintaka, Alnilam e Alnitak, que também são chamadas de Delta, Epsilon e Zeta Orionis. E aquela ali do lado é a constelação de Gêmeos... E a outra mais acima é a constelação de Touro... E aquela outra é Lebre... E tem aquela ali, que é a constelação de Unicórnio... –falou ele, apontando para cada uma das constelações.

-Nossa, você conhece muito bem as constelações! –exclamei admirada.

Brian permaneceu quieto por alguns segundos, e depois de um suspiro, ele começou a falar.

-Quando eu era criança, queria ser um astrônomo. Sempre fui obsecado pelas estrelas, os planetas, os cometas, meteoros... Queria saber tudo sobre o universo... Lembro que um dia meu pai me deu uma surra por que eu vendi o conjunto de talheres que eram herança da família só para conseguir dinheiro para comprar um telescópio... Ele ficou tão furioso, e enquanto me batia, me disse as seguintes palavras: Como um pirralho pode ter curiosidade sobre o que existe além da Terra se você nem mesmo conhece a própria Terra? Como quer saber sobre outros planetas se você nem ao menos sabe como é o planeta em que vive? Você é um tolo! Primeiro procure as respostas aqui, e depois, se não achá-las aqui, vá procurar pelo resto do universo!

-Ele foi muito rígido com você... –falei, com um olhar entristecido.

-Sim. Mas graças a isso, eu fui capaz de olhar com mais atenção para as coisas que estavam próximas a mim. Quando eu tinha 13 anos, um amigo me pediu um favor: que eu tirasse algumas fotos de um lugar e depois entregasse para ele. Quando eu tirei a primeira foto e vi aquela bela imagem de uma cachoeira, eu me apaixonei pela arte de fotografar. Desde esse dia, eu nunca mais larguei a câmera fotográfica. Atualmente sou um especialista em fotos de paisagens naturais, e posso afirmar com toda minha convicção que se eu tivesse escolhido a profissão de astrônomo, provavelmente não teria sido tão feliz quanto eu sou hoje como um fotógrafo.

-De qualquer forma, esse era o seu destino, e mesmo que você não tivesse levado uma surra de seu pai, com certeza teria se tornado um fotógrafo do mesmo jeito.

-Você acredita mesmo que esse era o meu destino? Por quê? O que te faz pensar desta forma? –perguntou ele, olhando para mim com sua expressão de curiosidade.

-Nada em especial... É só que... Quando eu te vi pela primeira vez, eu tive certeza de que você nasceu pra ser fotógrafo...







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